
Processadores, são basicamente calculadoras, tudo que acontece no seu computador é resultado de infinitos cálculos que resultam em posição de pixels para formarem imagens surpreendentes, respostas rápidas para as suas ações e graus complexos de jogos, por exemplo.
Vamos falar um pouco de Sistemas Operacionais para justificar a evolução disso tudo. No principio (dessa explicação) havia o DOS, uma plataforma simples e poderosa! Tão poderosa que decidiram que ela seria a base para o Windows. Daí surgiram as maravilhas gráficas, mas vamos pensar no contexto histórico e na evolução natural, afinal, o mundo aprende com seus erros, vindo do DOS, a idéia inicial para gráficos e interação com o usuário foi executada em cima dele, literalmente em cima, e em cima desse modo gráfico executar aplicativos, imagine uma pirâmide milagrosa, onde em cima dela sobe o gráfico “explorer.exe” e em cima dele, o media player, e na mesma altura o word… ops… pouco espaço para muita coisa… o processador já tem o peso padrão e tarefas tentando dividir o mesmo espaço e agora?
Memória Ram, a solução para resolver o que está tomando o espaço para dar a impressão humana de multitarefa (guarde isso, vou explodir sua cabeça até o fim desse texto), impressão porque o processador executa uma ação por vez e quando parece rodar duas, ou seja até o Windows ME as coisas eram mais ou menos assim:
- - Estou ouvindo música no Windows Media Player.
- - Preciso editar um texto no Word.
- - Chamo o Word.
- - O Windows não responde.
- - Nesse instante o processador está copiando tudo que pode da sua lista de músicas para a memória RAM para que ele consiga executar com o mínimo de processamento e possa te dar o Word.
- - O Word ainda não abriu…
- - Nesse instante provavelmente você começou a apertar o botão windows irritado por não abrir e começou a bombardear o processamento de Alt+Tab… legal da sua parte ein!
- - Finalmente o processador abriu o Word depois de congelar as suas músicas por superlotação na memória RAM porque estava cheio de ações, e finalmente ele fez a mais pesada.
- - Agora no Word, a música volta a tocar, mas ops… não quero mais ouvir essa música, vou passar ela…
- - ALT+TAB no Windows Media Player que tem aquele gráfico mágico que se movia de acordo com a música.
- - O processador começa a calcular o gráfico, carregar na memória RAM o que você tem no Word e voltar o foco para música.
E assim era a vida, de vez em quando, em algum momento o cálculo e a programação de tanta coisa dava um leve erro, (era esperado um bit 0 e veio um 1) pronto! o aplicativo que toma conta da sua tela congela e aparece o famoso “Não responde”, daí o processador tenta reiniciar o aplicativo tentando resgatar o último estado dele, e a irritação faz irmos as músicas ou ficar tentando executar o Ctrl+Alt+Del pra matar o processo que está te matando.
Daí nada responde, agora o mouse que também toma processamento parou de responder, o processador encheu a memória, está executando milhares de cálculos no seu limite, a luz do gabinete nem pisca mais, fica acesa direto e nossos instintos humanos começam a tomar conta da razão e TELA AZUL.
Lembra lá em cima sobre a pirâmide? Então, quando uma arquitetura que roda algo sobre algo tende a virar castelo de cartas, se uma das camadas desestabiliza, as que estão acima caem juntas. Mas… e se ao invés de camadas amarradas, as coisas fossem feitas como componentes? E se esses componentes ficassem integrados encaixando lado a lado? Como um time? Algumas pessoas começaram a pensar nisso, daí projetos paralelos ao Windows começam a tomar forma, tamanho e desvio de erros já cometidos pela poderosa MS. Então começam a aparecer Sistemas Operacionais que tem a fama de “Não trava”, “É mais leve”, etc. Bom, exploda a sua cabeça… Não é bem assim…
Falando de Linux por exemplo, as coisas acontecem em paralelo, o Kernel chama seus componentes um a um, encaixando eles até chamar o componente “Interface Gráfica” que agora é vista como um acionador amigável de componentes. Agora temos um diferencial, mesmo que a interface gráfica trave, tudo continua funcionando, as coisas são ativadas quando necessárias, o processador trabalha mais aliviado, organizado e não tendo que rodar tarefa sobre tarefa tendo que sustentar cada vez um peso maior.
Agora o mercado toma moldes, o Windows começa a balançar demais com crashes e algo surpreendente acontece, o Linux começa a virar um lego gigante com tantos componentes que começa a fugir de controle ficando pesado, coisas desnecessárias, complicando a chegada de novos adeptos (estou falando do finado Kurumin), fazendo boa parte voltar para o Windows. Notando isso, eis que vem a reformulação, Windows XP, agora componentizado, mais estável, recuperação de erros antes complicados… e organização claro, leva a qualidade e tempo de resposta maior. Jogos que antes precisavam derrubar o Windows para rodar no DOS com um gráfico mais legal agora podem rodar ao lado, dando a impressão que tudo está mais leve.
Então os processadores chegam aos 4.0Ghz! Fervem como ferros de marcar gado e estabelecem uma barreira tecnológica, como resolver isso? Como a evolução continua? A solução veio junto com a mesma dos Sistemas Operacionais, trabalhando com dedicação aos componentes, processando com mais de um processador, assim a velocidade continua evoluindo, afinal o que um fazendeiro colhia, agora dois ou mais colhem!
Mas não se iludam, 9 mulheres não conseguem ter um filho em um mês, quero dizer, se algo foi desenvolvido como um “bloco”, ele continuará pesado para abrir pois precisa da mesma dedicação de processamento. Isso vemos mais claramente nos dispositivos mobile, os primeiros aparelhos com Android, eram fantásticos, revolucionários, mas tinham uma lentidão inexplicável e droga, porque?
Além de não ter tanta memória como um pc, também, não tinham uma placa para auxiliar nas imagens e ninguém a não ser o mesmo processador monitora todas as suas antenas, atividades enquanto rodamos um jogo fantástico em 3D. Algumas coisas começam a ser justificadas aqui, o tal do “Push” do iPhone que deixa o processador agendado para usar os componentes, assim como no Android que já na sua versão 1.5 teve que adotar a mesma técnica. A monotarefa dos primeiros iPhones também são justificadas aqui afinal, se ele fizer só uma coisa e bem feita, será mais interessante, conceito que foi quebrado com o truque de “Congelar” os aplicativos para dar a impressão de multitarefa.
Agora, com as novas gerações de gadgets com telas absurdas e no mínimo 6 antenas, o processamento também foi dividido em mais de um núcleo, aliviando e executando tarefas em paralelo, mas temos um problema tanto para gadgets maiores como para nossos brinquedos de bolso, grandes poderes requerem grandes responsabilidades… A bateria precisa gerar muito mais energia para suprir o tanto de coisas que acontecem ao mesmo tempo! Indo embora muito mais rápido do que estávamos acostumados…
O jeito é, ou o Sistema Operacional faz algo para controlar melhor, o que complica, pois cada fabricante tem sua forma de construção, ou os processadores entendem que nesse momento não é necessário toda a força, aumentando e diminuindo a potência como um carro para economizar combustível (Pentium i7)!
Os dispositivos de mão tendem a isso também, logo, os processadores adotarão algo parecido, para que a bateria dure bem mais, um bom exemplo da bateria do iPad 2 que mesmo com dois núcleos trabalhando, a autonomia permanece a mesma. Algo importante a considerar, dois núcleos ou mais não aumentam em 100% a velocidade, ou seja, o processador dual core de 3.0Ghz, não produz 6.0ghz! Assim como um carro 4×4 não corre mais, ou uma carroça com dois cavalos não está turbinada, apenas mais leves e aumentando um pouco mais a autonomia e segurança.
A idéia desse texto não é explicar a história de nenhum desses caras aí em cima, pulei muita coisa que gera toneladas de informações, a idéia é passar uma explicação amigável do caminho da evolução e entender porque as coisas não continuam aparentemente aumentando em números de velocidade, principalmente pra quem assim como eu vem do Pentium 186 com botão turbo e vimos a coisa ir aos 3.0!